quinta-feira, 4 de junho de 2009

o espelho - dessa vez, sutilmente


meu sonho de vida era encontrar uma pessoa praticamente igual a mim. existiria uma relação de pura reciprocidade e carinho mútuo. sim, existiu. talvez os melhores dois meses da minha vida engajada nisso. feliz eu dormia e feliz eu acordava. é quase ridículo falar o tanto que uma amizade pôde me proporcionar.
e ao ver meu espelho ali na minha frente, fazendo coisas que eu faria, falando absurdos que eu falaria, escrevendo cartas que eu escreveria. sendo imprevisível assim como eu seria, cobrando postura assim como eu cobraria. e ao ver meu espelho ali nunca poderia imaginar (por mera inocência) que meu espelho também refletiria meus defeitos. e talvez o pior deles foi refletido e numa velocidade que... não deu tempo de fazer nada. talvez, mesmo se desse, de nada adiantaria.
minha previsibilidade talvez seja tamanha quanto a sua. as coisas que você diz, talvez, sejam as mesmas que eu diria e repetiria tentando criar um auto-convencimento. talvez meu pessimismo se reflita no seu comodismo de achar que as coisas ficarão as mesmas.
vi meu espelho quebrar e aí são sete anos de azar. quem sabe depois desses sete anos a gente se encontre no shopping e antes de comprimentar a outra ou antes de passar direto, a gente se lembre dos provavelmente melhores dois meses tivemos. os melhores pra mim. obrigada por tudo que você me proporcionou nesse tempo, é indescritível.
não se termina amizade assim como se acaba um namoro. estou triste e pensando aonde que as coisas poderiam ter de fato dado certas. talvez simplesmente não fossem pra dar certas. talvez fosse pra ser uma fase que existiu para marcar ambas.
que fotos sejam abertas com lágrimas nos olhos não de tristeza, mas de satisfação. que cartas sejam lidas com os mesmos risos que quando lidas pela primeira vez. e que seja assim, eternamente o meu espelho.

é bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer.
suplico que não me mate, não. dentro de ti.
sorria e saiba o que eu sei eu te amo.

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