Dormimos com um ventilador pra evitar os mosquitos, mas mesmo assim é impossível. Comemos numa mesa de madeira sem forro e a sacola do pão ta sempre cheia de mosca. Acordamos cedo e se por acaso acordamos tarde, somos condenados. Caminhamos, andamos de bicicleta, andamos de carro (mesmo sem carteira), escutamos os bichos e esquecemos como é estar na frente de um computador ou de um telefone. Pisamos na terra e nas pedrinhas da estrada. Afundamos no rio, procuramos pedras para jogar no mato, temos medo de todo e qualquer barulho estranho mas... tudo é estranho! Pulamos do alto da pedra no poço da cachoeira, jogamos água no outro, deitamos na correnteza e parece nao existir mais nada. Poderíamos ficar ali pra sempre deitados, sozinhos, pensando nos amigos que deveriam estar ali com a gente enquanto a água cai levando cada pedaço ruim embora e trazendo novas energias. Parece mágico e, falando, parece idiota. Voltamos pra casa, molhados e não tem problema molhar o chão, molhar o sofá, a rede. Ligar o som e ouvir aquelas músicas que nunca ouvimos, nunca paramos para ouvir ou sempre ouvimos e nunca prestamos atenção na letra, na melodia, no sentimento.
E cada dia que acordamos parece único, exceto o dia de ir embora. É sempre triste. É sempre o que queremos prolongar na cama e ficar coçando as mordidas e escutando o ventilador. Na estrada, ainda sentimos o cheirinho de mato e a vontade pulsante de um rio naquela hora. Sempre dá a sensação de que esquecemos de colocar alguma coisa na mala, que alguma coisa ficou pra trás. Dentro da mala está tudo. O que ficou foi um pedaço da gente naquele lugar maravilhoso e que a natureza fez questão de caprichar. Em minutos caímos no sono e só acordamos com barulhos de buzina. Estamos na capital de novo.
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